De uma forma geral, mas sobretudo no mundo do futebol a tendência para encontrar culpados únicos pelos acontecimentos negativos é muito elevada. Quando se perde, por exemplo um jogo de futebol, logo se aponta um culpado. Muitas vezes é o árbitro, noutras um ou outro atleta, mas com alta probabilidade é o treinador, com ou sem razão.
As declarações do presidente Varandas sobre a derrota com o Torreense comprovam esta teoria. Citando de memória e simplificando, disse que esta derrota não se deveu a cansaço, mas a falta de competitividade. E se em parte, está correcto, não é rigoroso. Optou por usar a desculpa do bode expiatório e entregou a equipa de bandeja à voracidade dos adeptos, para ser popular. Não esperava. ver Varandas a enveredar pelo populismo, até porque não precisa.
Não sou seguidor dessa teoria. As responsabilidades no caso concreto de modalidades colectivas, têm de ser atribuídas a vários factores e a várias personalidades. Não está correcto o presidente, da mesma forma que não o estão, os que culpam exclusivamente a equipa técnica, com o treinador à cabeça.
A responsabilidade neste mau resultado, como noutros que aconteceram durante a época são colectivos. São o treinador e os jogadores no fim da cadeia, mas também o são todos os que dela fazem parte, acabando no presidente o máximo responsável.

Especificando sucintamente, tem responsabilidade quem fez as novas aquisições no início da época, das quais só vingou um jogador. Foram ainda mais infelizes as aquisições do mercado de inverno, uma inutilidade. Todos são responsáveis pela opção de competir em todas competições, com um plantel sem alternativas. E tem que haver responsáveis pelo exagerado número de lesões. No jogo em causa, apesar das diferenças, o Sporting tinha o dobro dos quilómetros nas pernas. E quem desvaloriza isto não pode estar certo.
Varandas, tem sido um ótimo presidente com um currículo invejável, quer do ponto de vista desportivo, quer do ponto de visto financeiro, mas também erra e fica-lhe bem assumir frontalmente os erros, nomeadamente os que cometeu no bate boca com o presidente do Antas, que só nos prejudicou.
Não adianta chorar pelo leite derramado. Agora é altura de reflectir sobre o que se passou, tirar as devidas ilações, aprender com os erros, para não os cometer de novo, e preparar a próxima época.
Por fim, que atribuam responsabilidade a quem a tem, e são vários, e não a qualquer bode expiatório. Que o adepto o faça na sua apreciação emocional e muitas vezes sem fundamento, compreende-se, que sejam os órgãos sociais a fazê-lo, para sacudir a água do capote, não me parece correcto.
Sou adepto da estabilidade e do bom senso. Quando ficámos com Amorim em segundo e quarto lugares, não se deitou fora o menino com a água do banho. O resultado foram dois campeonatos ganhos. Não sou nenhuma sumidade, mas não percebo, como gente inteligente, não aprende com os erros de anos e anos.