
Entrei a achar impossível. Mas o impossível entrou também.
O problema começou cedo. O SCU Torreense começava a acreditar no sonho.
Que jogão aquele frente ao atual Campeão Europeu; quase bicampeão. Lembram-se? Que noite contra o Bodo. Que classe na entrega e na atitude. A mesma equipa, o mesmo treinador.
Inúmeras lesões… e, mesmo assim, superiores em tantas ocasiões.
O filme corre. Fecho os olhos e volto a abrir. Esfrego-os. Não. Não pode ser.
Pouco há a fazer quando o que acontece é não responder a estímulos. Sem reação.
Acredita-se sempre que, a qualquer momento, tudo se resolve. Suárez é testemunha. A sentença acabaria por chegar.
Na bancada, pouco apoio dos Lion Seat. As Gamebox até 22 anos, apoiam mais com menos bilhetes.
Torres Vedras fecha a entrada pelo centro. Não há saídas. O GPS nada sugere. Então?
O Sporting não sai da rotunda. Circula, circula, sofre… mas não consegue.
O Torreense faz o seu jogo. Espreita o erro. E eles são tantos.
Rui Borges assina por baixo.
Aos 92’, entram dois jogadores: atitude, Quenda teve-a; e talento. Bragança mexeu no jogo; deu o que Pote não deu. O poste também não ajudou.
Prolongamento. Quem diria?
Maxi puxa o adversário. Penálti e expulsão. Uma lição de anormalidade, a juntar a tanta incompetência.
Cansados? Estavam os dois. Mas os níveis de exigência e o número de jogos são muito diferentes. Não serve de desculpa.
O Torreense, a disputar o acesso à I Liga, conquista a Taça de Portugal e a entrada direta na Liga Europa. O Benfica, por exemplo, vai às pré-eliminatórias e, nos últimos 12 anos, tem as mesmas Taças.
Nunca pensei perder esta Taça de Portugal. O futebol pensou diferente.
Uma vergonha e uma humilhação. Foi mesmo. Assisti. Senti.
E pensei: afinal, não somos diferentes.
As ofensas e os insultos aos nossos, e às suas famílias, são a verdadeira mancha negra e tóxica, em contraste com a festa e a alegria dos vencedores.
Quanto ao jogo: foi uma descompressão anómala, ou um colapso competitivo. Um acidente histórico de que não há memória.
Culpados? Todos. Julgados. Nunca. São humanos, e vestem a verde e branca listada.
Percebo tudo: o desalento, o descrédito, o desconforto e a tristeza.
Mas nunca, por nunca, me verão atacar os nossos, muito menos ofender a sua dignidade e honra.
Isso sim, foi vergonhoso e calamitoso.
Saio em silêncio e com uma bandeira do SCU Torreense. Recordação. Guarda de honra. FairPlay.
Final de ciclo para muitos jogadores.
O Sporting deve-vos muito, mas vocês, devem-lhes mais. Felicidades e OBRIGADO.
Quanto ao Carnaval de Torres, cabeçudos e matrafonas fazem parte do cortejo.
Foi a minha expressão. Ao meu estilo. 
Obs - Caros Sportinguistas. Hoje seria a minha última crónica por questões profissionais e pessoais, mas atendendo a este momento tão difícil para nós, não poderia abandonar.
Temos rumo, um projeto e novas conquistas para ganhar.
Perder custa, e há derrotas que ficam mais tempo dentro de nós. Mas o futebol também nos ensina outra coisa:
“Cair não apaga caminho”
Com fé, esperança e exigência, e sempre com amor ao Sporting.
Seguimos juntos.
SL